:33:03
Mete medo porque é fácil
veres-te caídinho por ela.
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Mas ao mesmo tempo sentes
que se caíres por ela
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estás a contentar-te
com a mediania.
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Que foi?
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És tão perfeita...
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Odeio que me digam isso,
não quero ser perfeita.
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O meu Pai teve poliomielite
em miúdo
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e ficou com uma das pernas
quase paralisada.
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E quando anda ela faz
um barulho de meter medo,
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tipo "pum, pum..."
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Mesmo de arrepiar.
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Lembro-me de ele chegar
a casa do trabalho
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e percorrer o corredor para
me dar um beijo de boas noites
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e eu morrer de medo por ouvir
aquele "pum, pum", percebes?
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E de me esconder
debaixo dos cobertores.
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Não é triste,
teres medo do teu pai?
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Eu cá tinha medo
do Feiticeiro de Oz.
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Aquela Margaret Hamilton
punha-me os cabelos em pé.
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E aquela música...
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Metia-me tanto medo
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que depois à noite não dormia
por não me sair da cabeça.
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E sabes o que fazia
para acalmar?
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Lembras-te que a Dorothy
mata a bruxa com água?
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Pois ficava deitado na cama
a juntar cuspo na boca...
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Para que se a bruxa
viesse para me levar
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eu cuspir-lhe em cima
e fazê-la derreter.
:34:43
Conto-te uma história trágica
e tu vens-me com essa?
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Desculpa, é triste
mas nunca me sei calar.
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Os homens têm à volta deles
uma força anti-intimidade,
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alimentada por sarcasmo,
humor e aversão.
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Por que será?