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As minhas bolas davam-lhe energia
para subir a novas alturas.
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Vá, dá-me cabo deles.
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Os nossos lados masculino e feminino
puxavam o melhor em cada um.
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Trabalhávamos juntos
como Yin e Yang,
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como batatas fritas e gasosa,
como homem e mulher.
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Como o Crick e o amigo
tinham a mesma técnica
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às vezes colidiam,
faltava-lhes qualquer coisa.
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Tinham a potência
mas não a estratégia,
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havia demasiado ego
do lado deles.
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Perdiam tempo um com o outro
e não connosco.
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Acabou-se o jogo.
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- Vá, baixem-nas.
- Fizeram batota!
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Mostrem lá os trofeus.
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É só por aqui fazer frio...
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Está um gelo, juro!
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Às vezes gajos como eu
somos uns porcos...
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Esquece, também sou
demasiado sensível.
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Consequência de crescer
com seis irmãos.
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Pois, mas digo-te uma coisa.
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Que às vezes é-me difícil saber
como ser homem.
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Posso culpar o meu Pai disso,
o modelo masculino que tinha.
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Ele gosta tanto de gelado
que faz tudo por um.
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E mais que uma vez o vi correr
para o meio da rua, em cuecas,
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atrás do homem dos gelados.
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Como é que assim
eu ia aprender a ser homem?
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Antigamente os miúdos iriam trabalhar
para o campo com o pai,
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ou caçar durante o fim-de-semana.
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Com os pais,
aprendiam a ser homens.
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Mas na idade do computador
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são deixados em casa
enquanto os pais vão trabalhar,
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deixou de haver aprendizagem.
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Portanto como nos deixa isso?
A mim, na rua,
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vendo o meu no meio da rua em cuecas,
comendo cassatas.
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Belo modelo a imitar...
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Se nem consigo perceber
o que é ser homem
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como vou perceber mulheres?
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Eu acho que nos percebes
melhor que muitos homens.