:39:03
-Mas deu-to, não é?
-Sabia que passava dificuldades.
:39:06
-Ajudou-me um par de vezes.
-Inacreditável!
:39:08
Mamã, o papá era livre de o fazer.
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Dava dinheiro a esta tipa e eu
não posso dizer nada?
:39:13
O dinheiro era meu!
Pertencia-me.
:39:16
A tua avareza mata-te, mais
cedo ou mais tarde, cunhadinha!
:39:18
Ouviste?
Como se atreve ela...
:39:21
Esta mulher é espantosa!
:39:24
Bem, para sermos completamente
claros, temos de saber exactamente...
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...o que faziam todos
esta noite.
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-Mãe, onde estavas?
-Já te disse, no meu quarto.
:39:34
-Saiste do quarto?
-Não. Bem, sim... uma vez.
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Para ver como estava a Catarina.
Pareceu-me ouvir ranger a porta.
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Ela lia.
Voltei para a cama.
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-Catarina, levantáste-te?
-Sim, fui à casa-de-banho.
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-Foi o que a mamã escutou.
-Não ouvi nada. -Não ouviste nada?
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Estava concentrada no meu livro,
não prestei atenção.
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-A tia perguntou-me se queria
apagar as luzes. - E tu insultáste-me!
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-Estúpida criança!
-Vais-me pagar.
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Suzana, esqueci-me de uma coisa.
:40:04
Escutei um ruido estranho.
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Espreitei pela fechadura da
Agostinha, e ela estava...
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...parada, frente ao espelho,
agarrando em algo brilhante.
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Não pensei nisto ao princípio,
mas agora tenho a certeza...
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...ela estava a afiar uma faca!
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Louca!
Era o meu penteador, de prata.
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-Estava a limpá-lo.
-Às 3 da manhã!?
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Os penteadores não dormem!
Se quiserem vou buscá-lo.
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Não é preciso, Agostinha.
Acreditamos em ti.
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E foste à casa-de-banho 5 vezes?
Viste alguém?
:40:34
-Não, ninguém. -Disseste que
ouviste a mamã a sair da cama!
:40:37
Sim.
:40:38
Mamã, visto que já podes andar:
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-Levantáste-te?
-Não.
:40:44
Espera, sim...
por volta da uma da manhã.
:40:48
Fui ao living buscar um resto
de lã para o meu tricot.
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Pareceu-me ouvir um grito
no quarto do Marcelo.
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Não reconheci a voz, mas não
lhe atribuí nenhuma importância.
:40:59
Pensei que eras tu, Gabi.