:40:01
Suzana, esqueci-me de uma coisa.
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Escutei um ruido estranho.
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Espreitei pela fechadura da
Agostinha, e ela estava...
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...parada, frente ao espelho,
agarrando em algo brilhante.
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Não pensei nisto ao princípio,
mas agora tenho a certeza...
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...ela estava a afiar uma faca!
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Louca!
Era o meu penteador, de prata.
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-Estava a limpá-lo.
-Às 3 da manhã!?
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Os penteadores não dormem!
Se quiserem vou buscá-lo.
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Não é preciso, Agostinha.
Acreditamos em ti.
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E foste à casa-de-banho 5 vezes?
Viste alguém?
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-Não, ninguém. -Disseste que
ouviste a mamã a sair da cama!
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Sim.
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Mamã, visto que já podes andar:
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-Levantáste-te?
-Não.
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Espera, sim...
por volta da uma da manhã.
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Fui ao living buscar um resto
de lã para o meu tricot.
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Pareceu-me ouvir um grito
no quarto do Marcelo.
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Não reconheci a voz, mas não
lhe atribuí nenhuma importância.
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Pensei que eras tu, Gabi.
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Ouviste alguém gritar e pensaste
logo que era eu. Obrigado.
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Luisa, sabes alguma coisa sobre
a morte do meu pai?
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Não. Quando lhe levei o chá,
estava sozinho.
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Viste alguém?
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Sim. A Srta. Agostinha.
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Pensei que tinhas dito que
não viste ninguém.
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-Esqueci-me. Fui beber àgua.
-Mas espreitás-te o quarto do Marcelo.
:41:24
Que se passa?
:41:25
Tu devias sabê-lo, se dormem
juntos!
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Julgada pelos meus próprios filhos!
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Por isso é que nunca os tive.
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Nenhum homem te pediu para seres
a mãe de uma criança!
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Chanel, quando saíste?
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Cerca da meia-noite.
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-Antes ou depois do chá?
-Uns minutos depois.
:41:45
-Quantos minutos?
-Não sei.
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Creio que cinco.
Lavei umas coisas na cozinha.
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A Luisa queria ser ela a levar
o chá.
:41:54
Porque querias fazer isso, Luisa?
:41:56
Porque o senhor me pediu.
É normal.