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Sam, o que eu quero saber,
é onde pintou isto e quem é.
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Primeiro de tudo não é uma pintura,
é um desenho.
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Na verdade, é um pastel,
e quanto ao modelo...
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- Veio-me ao pensamento do nada.
- Não me diga.
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Porque é que está a agir
como um ajudante de xerife?
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Aquele vagabundo que eu prendi,
o dos sapatos roubados?
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Disse que os tirou de um morto?
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Ele descreveu-o muito cuidadosamente.
A descrição é igualzinha ao quadro.
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Um vagabundo que provavelmente não
consegue manter o emprego e bebe demais.
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Não acho que a sua palavra
seja muito de confiança.
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Tenho-o preso na escola.
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- Levei a pintura para ele ver.
- O desenho, se não se importa.
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Eu levei o desenho para lhe mostrar.
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Ele quase desmaiou.
Disse que era a mesma cara.
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Onde o pintou, Sam?
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Do meu vasto subconsciente.
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Sam, eu odeio dizer isto,
mas não acredito em si.
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Com todo este falatório,
perdi o interesse no jogo.
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Se me perdoam,
eu vou indo para casa.
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Vejo-os de manhã.
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O que quer dizer, não acredita em mim?
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O que eu quero dizer, Sam...
Eu não tenho educação em arte fina...
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mas eu conheço a cara de um morto
quando a vejo, e aqui está ela.
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Calvin, talvez eu o possa educar para,
ah, "arte fina".
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Veja isto,
Retrato de um rosto a dormir.
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Um homem, relaxado,
muito retirado de preocupações terrenas.
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Foi concebido da memória
e impulso meio-esquecido,
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e emergiu das sombras de emoções abstractas,
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até que nasceu completo da
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realidade mecânica das
pontas dos meus dedos.
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- Oh, vá lá Sam, não
- Eu não preciso de modelo para desenhar.
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Em vez de criar um rosto a dormir,
podia...
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escolher um conjunto de estímulos
artísticos completamente diferentes.
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O meu subconsciente está povoado com
rostos suficientes para cobrir a terra.
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E a construção da anatomia humana
é tão infinitamente variável,
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que está para além dos mais
loucos poderes de pensamento.
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Agora uma pálpebra levantada, talvez.